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O jantar mais caro da minha vida

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O jantar mais caro da minha vida

O jantar mais caro da minha vida

No decorrer das minhas viagens, tive a oportunidade de experimentar comidas das mais variadas culturas, nos mais diferentes países e também em todos os tipos de restaurantes que você imaginar.

É com base nesta experiência, que cheguei a conclusão de que essa história, vai relatar como foi o jantar MAIS CARO que eu já tive.

Bem, pra chegar no local onde a refeição me foi servida, eu tive que sair cedo da capital do Nepal, Kathmandu, viajei por 8 horas num carro 4×4 até uma vila chamada Deurali, lá era o limite até onde o carro podia ir, pois as estradas eram muito ruins e não existia mais estrada própria para o carro.

Já era fim de tarde, sai do centro de Deurali, andei 2 km e fui parado por uma senhora, ela estava com seus filhos pequenos e me convidou para dormir em sua casa. Aceitei o convite e acabei passando a noite. Eu dormi em um colchão no chão de sua varanda, pois dentro da casa nínguem podia dormir, devido as rachaduras nas paredes ocasionados por um dos maiores terremotos que o país já enfrentou. Além disso, todos os dias pegávamos de 5 a 10 novos terremotos e nunca sabíamos o quão forte seria, portanto não era prudente estar dentro da casa com as paredes rachadas.

No dia seguinte acordei cedo e comecei uma caminhada que durou 8 horas, passando por lugares incríveis.

Depois de uma longa e cansativa caminhada, subindo e descendo morros e montanhas, cheguei à uma vila chamada Chitre.

Esta pequena vila ficava no topo de uma montanha e lá haviam um total de 62 casas. Que até hoje me pergunto porque eles foram morar num local tão difícil e isolado de chegar.

47 das 62 casas estavam completamente destruídas por causa dos terremotos constantes que atingiam o vilarejo. Era triste de ver.

Eu estava ali como voluntário e a minha função era: fazer um levantamento de quantas casas haviam sido destruídas; achar o responsável por cada uma delas; saber quantas pessoas viviam em cada uma dessas casas; ver a quantidade de material que precisaria comprar para reconstruirmos o que havia sido destruído; voltar pra capital Kathmandu, levantar os recursos através de doações; voltar com o material; reconstruir as casas e entrega-las para seus proprietários.

Chitre é uma vila muito isolada, então seus moradores não esperavam ajuda de nenhum lado. Eles não sabiam quem eu era, nem muito menos as minhas intenções, então os moradores não estavam entendendo muito bem o que eu fazia por ali e mesmo com tanta tragédia que recentemente havia acontecido em suas vidas, eles me tratavam com muito amor e atenção. Me senti acolhido desde o primeiro momento que pisei ali.

Foi durante a primeira noite que passei na vila que o jantar aconteceu.

Alguns dos moradores, basicamente me pegaram pelo braço e me levaram para uma tenda improvisada que eles estavam dormindo.

Percebi de cara que eles deixariam aquele lugar para que eu dormisse. Mas a generosidade foi um pouco mais além.

Eu estava super cansado e suado, mas por algum motivo me informaram que eu não poderia tomar banho naquela noite. Foi falado que me levariam para a bica com água na manhã seguinte, eu disse que tudo bem. Mas sabia que estava indo para o meu terceiro dia sem banho.

Já dentro desta tenda, os rapazes falaram que iriam cozinhar para mim. Eu que estava morrendo de fome, agradeci a generosidade.

Perguntaram o que eu queria, e sabendo que o prato que todos sempre comem é o “Dal Bat”, que é o arroz com lentilhas (as vezes vegetais), falei que comeria qualquer coisa, que poderia ser o Dal Bat.

Toda minha comunicação com os moradores da vila era em Inglês, alguns entendiam, outros não entendiam nada. Após minha resposta eles  passaram 1 minuto conversando entre eles em Nepalês. 

Voltaram para a conversa comigo e perguntaram se eu comia galinha, eu rapidamente respondi que sim.

Eles falaram que na vila havia 1 única galinha, que eles iriam atrás dela e que iriam cozinhar pra mim. Eu agradeci a gentileza, mas disse que não precisava. Falei que eles poderiam manter a galinha viva, que qualquer comida seria mais do que suficiente para mim.

Mas você já deve imaginar né, obvio que o que falei não adiantou. 

Todos deixaram a tenda, foram atrás da galinha, à acharam, voltaram para onde estávamos e ali mesmo a cozinharam pra mim.

Chitre fica no meio dos Himalayas, no norte do Nepal a poucos quilômetros da divisa com o Tibet. Um lugar maravilhoso cercado por montanhas.

Na foto abaixo você vê o momento exato da nossa janta. Além da galinha, tinha também arroz e vegetais cozidos.

No lado esquerdo na parte inferior da foto, tem uma garrafa verde onde estava a água que tínhamos pra beber. Um pouco mais acima, você vê uma garrafa transparente, quase cheia com um líquido com cor de sujeira. Ali estava uma bebida caseira alcóolica com gosto horrível, feita de milho, eles chamavam de “vinho caseiro”, bebemos tudo até secar. Mas tava muito ruim.

A casa que estávamos foi improvisada pós terremoto, o chão era de barro, sem mesa, sem cadeira e ao nosso redor tinha tudo que havia sobrado da casa devastada de um dos moradores.

Um momento muito triste para aquele povo.

Bem, a razão pela qual eu disse que esse foi o jantar mais caro da minha vida, é simples, pois eles cozinharam pra mim a única galinha que tinha na vila e lá moravam centenas de pessoas.

Uma vez escutei uma frase, que sempre me faz refletir e se aplica perfeitamente ao ocorrido. Ela é mais ou menos assim:

”João te deu 10 moedas e Joaquim te deu 20. Você achou que Joaquim era melhor por ele ter te dado mais. Mas ele tinha 500 moedas e o João tinha apenas 10.”

É muito difícil mensurar o que é o mais caro e o mais barato quando a referência que se tem é o valor em dinheiro.

Pra mim, esse jantar vai continuar sendo o mais caro da minha vida, pois não consigo mensurar o valor para tanta generosidade.

Estávamos ali, sentados no chão de uma tenda, cercados por casas destruídas, comendo da mesma comida, bebendo a mesma bebida. Um dia muito marcante para a minha vida e pra minha história como voluntário.

Depois do jantar, cada um achou um canto pra dormir. Foi um dia super cansativo então rapidamente pegamos no sono.

Espero que essas palavras e fotos tenham mostrado para vocês um pouco da emoção que senti ao viver essa experiência.

A foto abaixo foi assim que cheguei na vila e todos vieram com sorriso no rosto me receber e pedir para registrar aquele momento. Pessoas incríveis, espero voltar um dia para saber como elas estão.

Abraços, Danniel Oliveira

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Danniel Oliveira já conheceu 69 países ao redor do mundo e tem como objetivo tornar viagens de experiência cada vez mais acessível para mais pessoas.

2 Comentários

2 Comments

  1. Vitória

    10/11/2020 em 14h35

    Chorando estou!
    Já falei o quanto tu me inspira né ?
    Continue trilhando essa jornada linda! 👏🏼

    • mm

      Próxima Parada

      10/11/2020 em 14h50

      Oiii Vitória! Obrigado por seu feedback!
      Seguimos nessa jornada!
      Grande abraço

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