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Como foi entrar sozinho no Iraque (Curdistão)

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Como foi entrar sozinho no Iraque (Curdistão)

Como foi entrar sozinho no Iraque (Curdistão)

 

 

Cada viajante tem o seu perfil de viagem favorito. Pra mim, levei alguns anos na estrada para saber qual era o meu.

Hoje sei que gosto do diferente, prefiro explorar lugares que conheço muito pouco, ou lugares que normalmente as pessoas falam que não iriam. E assim foi, quando decidi que iria para o Iraque.

Bem, pra quem está me conhecendo agora através dessa matéria, preciso comentar que fiz uma viagem ao redor do mundo por 19 meses, onde dediquei bastante desse tempo, para fazer trabalho voluntário. Ao longo dos últimos 7 anos, tive a oportunidade de ajudar em projetos no Brasil, Índia, Nepal (2 vezes), Mongólia e Rússia.

Em cada um desses destinos, exercendo diferentes atividades: Ajudando crianças em escolas, favelas e orfanatos; idosos; empoderamento das mulheres; animais; e sempre busquei diferentes experiências, para conhecer mais de diferentes áreas e também estar apto a trazer novas idéias, que são usadas em projetos de outros segmentos.

Foi durante essa minha longa viagem, que eu decidi que iria para o Iraque como turista, e ao chegar lá, tentaria achar algum projeto, onde eu pudesse ficar como voluntário. E assim fiz.

Eu já estava na estrada há mais de 13 meses, quando peguei um ônibus na cidade de Van na Túrquia (empresa de ônibus: Best Van), para entrar no norte do Iraque, mais conhecido como Curdistão Iraquiano, pois ao longo das ultimas décadas vem travando uma forte batalha interna, tentando se separar do restante do país. Querem ser um país independente, onde já possuem uma nova bandeira, um idioma diferente, pois o Curdo é o predominante, outra cultura, tanto de vestimenta como também de alimentação, enfim, uma infinidade de detalhes que tornam o povo Curdo, diferentes dos Árabes que predominam na outra parte do Iraque.

Chegada ao Iraque (Visto):

Bem, cheguei na imigração Iraquiana apenas com meu passaporte. Eu não tinha carta de acomodação, nem hotel reservado, nem passagem de saída do país. Ao chegar a fila para pegar o visto, eu era o único turista, portanto tinha uma cabine só para mim.

O agente na imigração foi bem simpático. Foi engraçado, pois ele leu em voz alta o nome Brasil e olhou pra mim, em seguida olhou para os outros agentes e  repetiu para todo mundo minha nacionalidade, só que todos na fila ouviram, então aquela sala que estava em silencio, passou a parecer uma feira, com todo mundo falando.

Eu recebi o visto de turista, que tem validade de 30 dias e me permite ficar legalmente em qualquer região do Curdistão.

Sendo assim, eu não poderia atravessar nunca para a outra parte do Iraque. Internamente eu sabia que teria que conhecer cidades como Baghdad, Mosul, ou até mesmo fazer um passeio pela Babilônia em outra oportunidade. De qualquer forma, estava feliz em explorar o norte daquele país que pra mim era uma total surpresa. Sem medo e sem muitas expectativas, eu estava vivendo cada minuto com o objetivo de absorver tudo que conseguisse daquela experiência..

Chegada a Erbil, capital do Curdistão Iraquiano:

Ao passar pela fronteira e pegar meu visto, o ônibus seguiu viagem e sua próxima parada foi em uma cidade que parecia ser grande, chamada Duhok.

Eu havia me programado para ir direto para a capital do Curdistão, a cidade de Erbil, então permaneci dentro do ônibus. Foram mais algumas horas até chegar ao meu destino.

Com o ônibus ainda em movimento, um funcionário chegou até mim e me informou que eu deveria pegar minha mochila, pois eu desceria logo mais. Depois de mais de 12 horas de viagem, eu tava super ansioso para descer e ver como seria tudo aquilo.

Como mencionei no texto acima, eu não havia reservado nenhuma acomodação em Hotel, mas havia falado com uma americana, através do site Couchsurfing, e ela me falou que eu poderia ficar na sua casa por alguns dias. Era uma casa grande, onde lá moravam mais 5 pessoas e eu teria o meu próprio quarto sem pagar nada.

Eram quase 3 da manhã quando cheguei na casa, devo ter sido inconveniente, com certeza, mas não deixaram transparecer e tinha até um lanchinho de recepção. Tomei banho, fui pros meus aposentos, e apaguei.

No dia seguinte, conheci todos os moradores da casa, tinha 1 americana, 2 poloneses, 1 cara da Nova Zelandia, 1 Holandes e um ex militar do exército da Síria, que havia entrado no Curdistão como refugiado, e o pessoal da casa o adotou por lá.

Todos os estrangeiros trabalhavam em grandes Organizações, dividiam-se entre ONU e outra gigante a REACH.

Os mais variados cargos e funções, pessoas extremamente bem relacionadas e que já faziam parte desse mundo há vários anos.

Todo momento que sentávamos para conversar, era literalmente uma aula sobre fatos que aconteceram seja no Iraque, Afeganistão, ou outros países na África e no Oriente médio, que eles já haviam trabalhado. Foi muito interessante.

O primeiro dos 120 dias que eu passaria no Iraque:

Depois de conhecer todo mundo que morava na casa que ficaria, tive uma aula sobre qual ônibus pegar, onde descer, como voltar, e dali mesmo sai sozinho em direção ao centro da cidade.

Meu plano era andar pelo centro, conhecer o máximo de lugares que puder, tirar fotos, tentar fazer novos amigos e voltar para casa.

Eu estava num bairro chamado Ankawa, que é o bairro onde é possível encontrar mais estrangeiros morando. Isso se dá, pelo fato de ter nas redondezas algumas igrejas católicas, portanto aqueles que em algum momento decidiram abandonar o Islã, acabaram se mudando para as redondezas da igreja, e na medida que mais “gringos” foram chegando, mais pessoas foram se adaptando a idéia de morar num bairro onde a cultura ocidental é mais aceita.

Perto de casa, peguei um ônibus para o centro. A passagem custava algo em torno de 25 centavos de dólar, e levava 25 minutos de onde eu estava até o centro.

(Foto: De dentro do ônibus que eu pegava diariamente nas minhas primeiras semanas no Iraque).

Ao chegar no centro, eu fiquei surpreso com tudo que via.

Minha primeira parada foi na Erbil Square, essa é praça principal da cidade, e lá estão dezenas de fontes jogando água pra todos os lados. Mesmo sob um sol de 45 graus, dezenas de pessoas andavam pra lá e pra cá, tomando suco, sorvete, crianças brincando, adultos conversando, era realmente um clima muito amigável.

Nos arredores, está o Bazaar, onde você compra roupas, alimentos, jóias, armas, utensilios para casa, celular… quase tudo que precisar vai encontrar por ali, é realmente demais.

(Foto: Mercado de rua, onde dava pra comprar todos os tipos de frutas e legumes frescos, com preços muito atrativos)

Além disso, restaurantes e sorveterias por todos os lados, com as calçadas cheias de homens o dia todo fumando narguile.

Meu primeiro dia foi bem intenso, andei bastante conhecendo a parte central da cidade, visitando algumas mesquitas, e conversando com o povo local nos mercados, tomando chá com alguns deles.

(Foto: Esse senhor da foto no fundo, era o dono da casa de chá mais conhecida do Bazaar. Quando o filho dele, esse da foto, viu que eu era gringo, imediatamente me chamou pra conversar e tomar um chá. Ele me falou com muito orgulho sobre quem foi o seu pai, para a sociedade Curda, e o que aquele café representava pra todos ali. Presidentes de alguns países, e artistas conhecidos internacionalmente, sentaram exatamente no mesmo lugar que eu to, só que na época  na companhia de seu pai).

Em vários momentos daquele primeiro dia, eu parava, olhava para os lados e ficava pensando muito sobre o fato de estar ali, pois eu nunca imaginei que estaria naquele lugar, sozinho, num país como o Iraque, que eu só tinha escutado falar coisas ruins, e naquele momento estava sendo extremamente bem recebido e bem quisto em todos os lugares que eu passava. Foi uma emoção muito grande pra mim, esse inicio de viagem.

(Foto: No centro da cidade está a Erbil Square cercada pelo Bazaar, onde você compra roupas, comidas, frutas, armas. Alu você vai encontrar de tudo um pouco.)

Bem, quero escrever mais sobre os outros dias e sobre minha experiência de trabalhar como voluntário em campos de refugiados, prestando serviço para ONU e UNICEF.

Portanto fiquem de olho nas próximas matérias.

Abaixo, segue o vídeo da minha travessia da Túrquia para o Iraque:

 

 

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